segunda-feira, 27 de abril de 2009

Era uma pessoa má, fria e calculista. Nos últimos tempos tenho me tornado mais doce e boba. O que faço pra voltar a ser como antes?

Não lute contra uma tendência natural do ser humano: ser bobo. É de natureza genética, desde os primórdios dos programas de auditório, a idiotice latente dos seres vivos. E quanto mais capazes de raciocinar são estes seres, mais complexa a estupidez. Portanto, relaxe. Permita-se ser boba. Não se sinta mal nem busque formas de autopunição quando se deparar frente a uma banca vendo a capa da Caras com a cabeça inclinada para os sonhos sutis do glamour, não se odeie por assistir Big Brother com a desculpa de que o controle remoto sumiu estando em casa sozinha e o mais importante: não tente reprimir essa sua vontade louca de amar mais uma vez. Agora chegamos ao ponto que, sabemos, você queria tocar. Sim, porque tudo, absolutamente tudo o que os seres humanos fazem é para JUSTIFICAR UMA PAIXÃO e quanto mais ele busca ferramentas para isso, mais estúpido ele se torna. Você já deve ter percebido que, mesmo depois de longos anos na estrada do amor, continuam sendo contabilizados altos índices de acidentes por dirigir embriagada o veículo do coração, ultrapassar a faixa do sentimento a qualquer sinal, estacionar errado na vida de um sujeito, andar acima da velocidade permitida nas pistas do sexo e outras infrações inadmissíveis a quem tem anos de prática... Mas mesmo assim, você continua se acidentado por aí. E o pior: manobrando com cada vez menos destreza. É normal, minha caríssima leitora. É normal sim. E a tendência é piorar, uma vez que, de agora em diante, você vai perder sentidos básicos como visão e audição, passando a atropelar sentimentos que insiste em nõ enxergar na busca por sexo e perder pontos com os amigos ao não ouvir seus conselhos e seguir investindo num crápula ou outro. O segredo então é: seja boba, mas seja uma boba consciente. Não finja pra ninguém, muito menos pra si mesma, que você pilota como ninguém os instintos femininos. Bata de frente, a 220 km/h e não se importe com os julgamentos alheios. Perca a carteira mas transe com o guarda, deixe seu carro ser apreendido e que com ele vá junto seu falso pudor, perca a carteira mas encontre a emoção. Apenas assumindo nossa porção idiota é que damos uma verdadeira e talvez única chance a nós mesmos de chegar perto da felicidade [essa demente]. Quanto a estar ficando doce, simples: você quer ser comida. Não se reprima, mais uma vez: permita-se sempre adocicar a vida de alguém. Esqueça as dietas do moralismo e adocica, meu amor, adocica.

3 comentários:

Pablo, el hombre disse...

Clap... Clap... Clap...

007 project disse...

gente, mas não tinha visto este texto. q coisa linda.

estava ouvindo wando na hora? =)

Leila DizNi disse...

ui wando de prazer...